─Pois fago os 20 para a semana…

─QUE?? E eu xa con 26…

─Si… non me digas que te ves moi vella para min…

 (vivan as indirectas-directas que te deixan FÓRA de xogo e como se foses ti a teenager…)

Perdín o tren. Non foi casualidade nin mala sorte.  A coartada perfecta. Fixen outra vez que o universo xirase ao meu ritmo. E volven a darme un Oscar… Que ben se me dá mentir, é a mellor defensa contra un mentiroso.  Reacciono, a defensa Luzhin. Acabáronse os xogos. E sen darme conta provoco unha bifurcación na miña vida. Todo cambia. Despacio, suave como unha caricia, constante. E sei o que vai pasar… Aí vén o tsunamí, o terremoto. Quizais xa veña de lonxe pero eu non puiden velo ata hoxe.

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor…,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade – Adéus